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  Matéria da revista Tintas & Vernizes - Distribuição
O poder de transformar e criar valor aos negócios

A distribuição de produtos químicos vem sendo cada vez mais reconhecida no Brasil e é um setor que ganha destaque no desenvolvimento industrial do País. Em São Paulo (SP), altos executivos do Brasil e do exterior puderam opinar e trocar informações sobre as tendências e os impactos da distribuição durante o Ebdquim 2010.

A Associquim/Sincoquim realizou nos dias 18 e 19 de março a 5ª edição do Ebdquim – Encontro Brasileiro dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos. Diferente das edições passadas feitas em resorts na região nordeste do Brasil, desta vez o evento aconteceu em São Paulo (SP), alinhado com a comemoração dos 50 anos da fundação da entidade (nascida e sediada na capital paulista), o que também sugeriu o tema do encontro: “Associquim 50 anos – Distribuição – História – Resultados e Perspectivas”.

Conforme enfatiza Rubens Medrano, presidente da Associquim/Sincoquim, o Edbquim é uma oportunidade ímpar de ficar atualizado com o que está acontecendo no setor da distribuição e saber as tendências, previsões e expectativas, alem de criar a oportunidade de um contato mais próximo com os altos executivos do Brasil e do exterior.

Com base neste objetivo, o elevado nível do encontro foi novamente destaque do Ebdquim. O encontro contou com a palestra solene de Bernardo Gradin, presidente da Braskem, e com apresentações de Pedro Suarez, presidente da Dow América Latina; Carlos Mariani Bittencourt, vice-presidente da Firjan e Membro do Conselho Consultivo da Abiquim; Juan Carlos Parodi, presidente da Eastman – América Latina; Adolfo Vannucci, presidenta da SI SPA da Itália; além de Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, que compareceu como palestrante convidado.

A programação também contou com as palestras de Marc Fermont, sênior partner da DistriConsult; Eduardo Rangel, diretor do Banco de Investimentos HSBC; James P. Rogers, presidente & CEO da Eastman; Isabel Figueiredo, diretora comercial de petroquímicos básicos da Braskem; Mauricio Lopes, gerente de mercado para Solventes & Intermediários da Oxiteno; Rogério Sousa, gerente de comércio interno de solventes, combustíveis especiais e enxofre da Petrobras; e Abram Szajman, presidente da Fecomércio- SP.

No geral, pôde-se notar um otimismo evidente para o cenário econômico do Brasil, assunto destacado em praticamente todas as apresentações. Para Gradin, no Brasil existe de fato um crescimento esperado, mas mundialmente acredita que deva existir mais cautela, do que medo e euforia. Ele mencionou o novo momento do mundo e do Brasil, destacando a auto-estima e otimismo dos empresários para uma nova mentalidade, entendendo que o trabalhador brasileiro tem que viver essa renovação de pensamento junto com a indústria. O executivo finalizou a apresentação declarando que “podemos construir uma cadeia de valor frágil ou podemos escolher uma corrente sólida com a distribuição reconhecida”.

Na visão do especialista Marc Fermont, a partir de agora é possível prever um crescimento importante no Brasil e na America do Sul. “Fiquem alertas, estamos chegando a um momento de real aprovação e a distribuição é um setor importante dentro deste novo cenário”, avisou.

A busca pela excelência operacional na distribuição e a tendência mundial de fusões e aquisições no setor também foram tópicos salientados. Para a palestrante Isabel Figueiredo, este processo tem feito com que a distribuição atenda cada vez mais os anseios dos produtores. “O distribuidor tem uma capacidade enorme de transformar nossos produtos, tornando-os mais profissionalizados. Notamos cada vez mais investimentos em assistência técnica e atendimento de requisitos legais, como segurança e sustentabilidade. Isso agrega um valor maior ao pacote de produtos”, diz a executiva.

Para Medrano, cada vez mais o Ebdquim tem se transformado num fórum importante de toda a cadeia produtiva. “É um evento transparente, ético, e mostra claramente o desenvolvimento do setor de distribuição, os grandes saltos de qualidade que tivemos ao longo dos anos e o quanto a distribuição representa ao crescimento do País”.

Em sua visão, os novos tempos da economia apresentam cenários de desafios e a entidade não poupará esforços pra fazer as adequações necessárias. De acordo com Medrano, os novos desafios daqui para frente serão, principalmente, as consolidações e as fusões que devem ser feitas de forma cautelosa para que não haja ruptura no sistema atual, que é muito bom. “Mesmo diante de todas as novas tendências, temos que facilitar a chegada dos produtos para as médias e pequenas empresas, porque o ideal é um só: atender. Hoje, as empresas de distribuição transformam negócios e criam muito valor”, orgulha-se Medrano. A próxima edição do Ebdquim acontecerá daqui a dois anos. A Bandeirante Brazmo continua concentrando seus investimentos em especialidades. “Temos uma preocupação grande em ser um agente de desenvolvimento do País, através de soluções químicas. Estamos vivendo um momento ímpar de economia e isso demanda tecnologia para ter condições de oferecer soluções competitivas. Portanto é necessário trazer as melhores matérias-primas com custo/benefício”, Observa Carlos Fernando de Abreu, diretor executivo comercial da distribuidora.

Ele conta que a empresa tem investido muito na capacitação de sua equipe para trabalhar com produtos de alto valor agregado, como os pigmentos orgânicos friendly e os solventes verdes, como é o caso dos solventes derivados de glicerina da nova linha Augeo, desenvolvida pela Rhodia. “Estamos muito empenhados no trabalho com esta linha que, alem de ser sustetável, efetivamente isenta o VOC do processo e ainda, aumenta a rentabilidade do sistema e dos produtos finais”, diz.

A Bandeirante Brazmo também está investindo no laboratório de aplicação para reforçar o desenvolvimento dos pigmentos da Prasad, empresa que recentemente inaugurou na Índia uma planta de ftalos azuis e verdes, tornando-se um dos mais importantes produtores de ftalos do mundo. “Isso nos deixa numa situação favorecida do ponto de vista de portfólio. Hoje temos um mix de produtos muito significativo para tintas com tecnologias especiais da BYK Chemie, Cabot, Sartomer, Rhodia, Prasad, Du Pont e de muitas outras companhias consagradas”, menciona Abreu, que acrescenta:”para fazer um bom trabalho com todas estas especialidades químicas, nossa equipe é treinada e obstinada em fazer com que o cliente perceba o valor que os produtos oferecem, o que é muito importante para nosso negócio”.

Na análise de Abreu, este é o momento da distribuição se consolidar como um agente de desenvolvimento industrial do Brasil. “ Em um país tão grande como o nosso e com uma quantidade gigantesca de micro e pequenas empresas, o distribuidor é o canal para estas empresas terem acesso mais fácil a tecnologias, produtos, matérias-primas, capacitação, clientes, logística reversa e sustentabilidade”.

O executivo acredita que no final de 2007 para meados de 2008, o negócio da distribuição ficou um pouco fragilizado, principalmente devido ao processo do dólar e depois à crise, que na verdade ele não considera crise e sim uma chamada para “olhar para o lugar certo”.

“Foi um período em que o negócio da distribuição ficou cheio de incertezas, também por conta das fusões e aquisições que aconteceram e outras que iam acontecer, mas não ocorreram. Creio que todos estes fatores juntos desencadearam situações indefinidas no setor, mas acredito que agora está muito clara a importância da distribuição e é chegada a hora do segmento rapidamente se reorganizar para aproveitar o bom momento da economia brasileira”.


Fonte: Revista Tintas & Vernizes